Médecins sans résidence (Médicos sem residência – documentário polêmico)

23 04 2012

Essa semana, nas minhas andanças pela internet, descobri um site de um projeto muito interessante chamado La tête de l’emploi. Esse projeto é uma coleção de 11 curtas-metragens e recursos on-line que abordam a o racismo direto e a discriminação no local de trabalho. O projeto foi realizado pelo Office national du film du Canada e contou com a colaboração de diversos cineastas.

Médicen sans résidence é um desses documentários, realizado em 2010, mostra como a discriminação impede os médicos formados fora do Canadá – mesmo os que conseguiram obter a equivalência dos estudos e o certificado de competência das autoridades de médicina do Canadá – de exercer a profissão. Entrevistas com profissionais da saúde e os dos direitos humanos ilustram como o racismo desempenha um papel nesta situação.

Eu gostaria muito de poder traduzir todo o documentário e fazer as legendas, mas a falta de tempo e meu conhecimento limitado nessa área da tecnologia, me impedem de fazê-lo. De qualquer forma, para quem ainda não está com o francês afiado, vou traduzir as partes mais importantes no blog mesmo. Quem quiser, pode acessar o vídeo completo aqui.

Médecins sans résidence

O documentário começa com a narração de uma médica imigrante :

“Eu me formei em médicina no meu país e trabalhei na França durante 10 anos como médica de família. Eu imigrei a Montréal com meus filhos, passei em todos os testes canadenses de medicina e o colégio de medicina reconheceu minhas equivalências de diploma. Logo, conseguir um posto de residente em um hospital deveria ser simples, mas faz dois anos que eu aplico para uma vaga e sou sempre recusada”.

Em seguida, aparecem algumas estatísticas :

Em 2009

– 94 postos de residências não foram preenchidos

– 60% dos médicos estrangeiros foram recusados

Os médicos que não passam na seleção recebem apenas uma carta informando que o dossiê foi julgado “não competitivo” e que não podem dar mais explicações, pois o processo de seleção é confidencial. Na carta, eles afirmam ainda que o processo de admissão é o mesmo para todos.

Depois disso vem a explicação fantástica do Dr. Yves Robert, secretário do Colégio de Médicina do Québec, para toda essa dificuldade. Esse comentário vou tentar traduzir na íntegra, pois vale a pena mostrar o tamanha da ignorância desse sujeito:

“Nós sempre colocamos a questão: se o corpo humano é igual em todos os lugares, a médicina também é igual. Isso não é verdade. Um médico africano pode ser capaz de tratar muito bem uma doença por aí a fora, mas não o que nós temos aqui no Québec. Nós temos infartos,  alzheimer, câncer, temos patologias que não são vistas na Africa ou na America do Sul, pela simples razão de que a população nesses lugares morre antes de chegar a idade de poder desenvolver essas doenças”.

 

 

 

 

 

 

Após esse incrível comentário, vem as respostas a favor dos imigrantes, dizendo que essas doenças são universais e que mesmo assim, médicos de países da Europa também encontram dificuldades para conseguir uma vaga de residente nos hospitais, etc.

Bom, seguindo essa linha, ainda tem muita discussão pela frente, mas são mais de 9 minutos de vídeo no total e vou ter que parar por aqui. Quem sabe um dia alguém possa traduzir e colocar as legendas.  O assunto é polêmico, mas vou guardar meus comentários por hora, pois o post tá enorme. Seguem alguns dos comentários finais  do vídeo:

–  Estima-se que o Canadá precise de mais 5.200 médicos.

– O problema apresentado nesse documentário é encontrato por todo o Canadá.

Um grande abraço e até a próxima,

Lucas

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