Quando a vida te pega de surpresa…

27 07 2009

Creio que um dos grandes medos de quem imigra é perder um ente querido a quilômetros de distância da família. Por mais que saibamos que a morte é a única certeza que temos na vida, não há nada que nos prepare para lidar com ela… O chão simplesmente se abriu quando recebi a notícia e não havia mais nada que podíamos fazer a não ser pegar o primeiro avião que partia para o Brasil. Estar junto da família foi a única coisa que importou naquele momento.

Foram horas intermináveis de viagem, horas que em nos perguntávamos se estávamos tendo um sonho horrível… Infelizmente, tudo era verdade e nós chegamos ao Brasil a tempo de enterrar meu pai querido.

Meu pai era um exemplo de vida. Alguém de veio completamente de baixo e conseguiu ser alguém. Foi um pai extremamente carinhoso e presente. Nunca em nenhum momento deixou de dizer que me amava e que tinha orgulho de mim. Estava muito feliz com a decisão que havíamos tomado e nos apoiou demais. Me ensinou sobre tudo, me deu conselhos valiosos que com certeza transmitirei aos meus filhos, se eu os tiver. Ele sabia aproveitar os bons momentos da vida e foi com ele que aprendi a tirar foto desses momentos. Ele foi feliz, estava completamente satisfeito e realizado nos seus 52 anos de vida… Era jovem na idade e no espírito, adorava a tecnologia.

Foi uma pessoa muito querida por todos, principalmente por causa de sua presença alegre e descontraída. Tinha urgência de viver, como se soubesse desde sempre que nos deixaria cedo…

No dia 04/07, ele embarcou conosco até Guarulhos… Queria nos apoiar na viagem e se despedir no embarque internacional. Achei aquilo fantástico, não esperava algo do tipo… Na despedida, nos olhamos de forma muito particular e eu me perguntei se aquela seria a última vez que nos veríamos… Mas eu não imaginava que o perderia tão cedo… Triste ironia do destino…

Sentirei saudades imensas do seu abraço, da sua voz, do seu otimismo, das suas brincadeiras, da sua seriedade. Sentirei saudades imensas de tudo… Espero que ele esteja bem onde estiver. Jamais o esquecerei…

Amo você, pai querido…

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Quero agradecer em especial aos amigos Thaís e Pedro, Flavielle e Adolfo e Erisa e Álvaro que nos ajudaram nos momentos mais angustiantes. Foram eles que nos ajudaram a fazer as malas, a comprar as passagens, nos levaram ao aeroporto e nos confortaram nas primeiras horas. Deixamos tudo para trás nas mãos deles e tenho certeza de que cuidarão bem de tudo por nós. Seremos eternamente gratos pelo carinho…

Quero agradecer também a todos os amigos que nos mandaram mensagens, e-mails, nos ligaram e estiveram conosco nesses dias. Não há palavras para agradecer o abraço amigo nesses momentos…

A missa de 7º dia de Valdo Soares Leite será celebrada em Brasília na igreja São Camilo de Léllis em Brasília, na 303/304 Sul às 19h do dia 28/07.

E a vida continua para nós que ficamos por aqui…





Nossa prematura ida ao Brasil

22 07 2009

Bom pessoal,

Estou passando aqui bem rápido para avisar que estamos indo ao Brasil por um motivo bem triste. Hoje a tarde faleceu meu sogro e estamos indo a Brasília para acompanhar o velório e o enterro, além de ficar perto da família nesse momento tão difícil. Meu sogro foi um dos maiores incentivadores do nosso Projeto Canadá e sem dúvida sem o apoio dele teria sido muito, muito mais difícil.

Meu sofro foi um homem adimirável e espero que Deus receba ele de braços abertos.

Por enquanto é isso meus amigos. Assim que pudermos daremos notícias.

Um abraço,

Lucas Sanromã





Aventuras no IKEA

21 07 2009

Alugamos um carro e fomos ao Ikea de Boucherville fazer as primeiras compras para nossa casa (sim, já temos casa alugada!). O Ikea é um passeio obrigatório para todo imigrante recém-chegado. Gente, vocês não tem noção do tamanho da loja! É muito gigante! E tem produtos lindos a bons preços! Agora, o passeio é puxado, pois você leva mais de um dia para conseguir ver todos os produtos e fazer suas compras controlando o orçamento. Lá dentro tem estrutura pra passar o dia inteiro oferecendo um restaurante com ótimos preços e qualidade.

Mas vamos às dicas: Primeiro olhe tudo da parte de cima (móveis) para saber o que tem dentro da loja. Depois refaça o trajeto anotando os códigos das etiquetas vermelhas/alaranjadas. Essas tarjetas servem para localizar os objetos nas prateleiras depois. Uma vez anotado tudo, visto a loja inteira e estar exausto, pegue um carrinho e vá pegar suas coisas no estoque. Sim, é você mesmo quem vai carregar as caixas dos móveis desmontados, colocar no carrinho e passar no caixa pra pagar. Nesse momento, bate uma saudade enorme do Brasil rs rs rs.

Após pagar tudo e morrer na fatura, é possível pedir para entregar. Nas regiões por perto de Boucherville (até 40 km), a entrega custa CAD$ 60.00, mas para Ville prepare-se para pagar CAD$125.00. Se precisar deixar lá por alguns dias e entregarem numa data específica, vão te cobrar por isso. Mas não é só isso! Se você comprar mais de 20 volumes e pedir para entregar, você pagará mais CAD$ 2,00 por cada peça excedente. Fique ligado.

Em especial, quero agradecer aos amigos por nos ajudarem nas compras! Sem eles, a bagaceira teria sido mais difícil kkkkk

Vejam aí a situação do carro na volta das compras:

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Primeira semana no Québec

16 07 2009

Realmente, a primeira semana é intensa. São muitas novidades para ver, coisas a resolver, apartamento para alugar, ter de aprender a se locomover de ônibus e ainda se estressar para se comunicar. O transporte público em Ville não é um dos melhores e é complicado ir pra certos lugares. Hoje ficamos 40 minutos numa parada esperando um ônibus até que nos tocamos de perguntar se ele ainda passava ali. Foi quando descobrimos que ele só passava no período da tarde. Se você não consegue pegar o papel com o trajeto e os horários, fica um tanto quanto perdido, o que não significa que seja fácil com o papel rs rs rs. Resultado: desistimos de ir onde queríamos, porque é uma verdadeira viagem ir pra lá… Não é fácil viver sem carro nessa cidade.

Dica obrigatória para quem depende do ônibus é comprar os cartões OPUS da RTC. Com esse cartão, você anda livremente em todas as linhas o quanto quiser durante o mês. Custa cerca CAD$ 71,00. Se for pagar em dinheiro, tenha em mão a quantia correta em moedas, pois não há troco. Você coloca a quantia tipo numa urna e ninguém vai conferir se está certo. Cada passagem custa CAD$2,60 e acredite, você gasta bastante dinheiro por dia se for pagar em espécie.

A cada dia, pegamos alguns macetes do sotaque quebequois e também perdemos a vergonha de falar as coisas. De vez em quando, eu ainda desisto de perguntar algo por não conseguir me comunicar, mas continuo persistindo. As pessoas aqui são bem pacientes e raramente vemos alguma cara feia ou má vontade em ter de falar de forma mais lenta. Às vezes, a ficha demora a cair que você está vivendo num país com língua diferente e engatamos o português sem querer.

Tem feito frio ultimamente pelo menos pra nós que acabamos de chegar. Foi bom ter trazido alguns casacos do Brasil, pois são eles que estão quebrando o galho aqui. Os comentários que temos ouvido é que o verão atual está sendo atípico, mas mesmo assim vemos as pessoas andando de shortinho curto e sandálias pela cidade. Em comparação com o inverno, com certeza deve ser quente para eles rs rs rs.

Com relação às compras, tem que se controlar, porque tem muita coisa bacana por aqui. As máquinas de cartão de crédito e débito são meio diferentes das nossas, tem mais opções pra se escolher e nos restaurantes tem até a gorjeta pra se informar nelas. As gorjetas são meio que obrigatórias por aqui, é um costume forte. Funciona como nossos 10%, mas de forma diferente. Ainda estou tentando entender.

No mais, continuo me surpreendendo com o tamanho jumbo das coisas. Dá uma checada nesse novelo enorme de lã.

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Até mais!





Para descontrair: curiosidade

13 07 2009

Esse é um escritório de um detetive aqui em Québec que fica próximo ao nosso prédio. Será que é por isso que ele escolheu essa profissão? Às vezes ele só quer ajudar pessoas na mesma situação… rsrsrsrs

Escritório Detetive

Escritório Detetive

Um abraço,

Lucas Sanromã





Enfim, chegamos!!!

12 07 2009

Em primeiro lugar, queremos nos desculpar pelo sumiço, mas só quem já passou pela mesma situação sabe o quanto é difícil administrar os primeiros dias num lugar diferente. È muita correria, muito passeio pra lá e pra cá, burocracias pra resolver… Enfim, vamos às notícias (o post vai ser meio longo).

A viagem dos EUA para cá foi muito tranqüila. Tivemos que pagar excesso por uma mala adicional e ainda por excesso de peso em duas. Deveríamos ter pago excesso pelas quatro, mas eu chorei um bocado na companhia aérea, expliquei que estávamos de mudança e a moça aliviou um pouco nosso lado. O landing em Montréal foi meio estressante, porque é o primeiro contato com a imigração, mas não há nada assombroso não. As pessoas são pacientes com o francês, porém querem enfiar um inglês sempre que possível. Como o intervalo entre a chegada, imigração e voo pra Ville era um pouco curto, acabamos perdendo o voo e tivemos que pegar o próximo e este trecho final foi feito num teco-teco minúsculo, achamos muito engraçado aquilo. O aeroporto de Ville é bem pequeno. As bagagens chegaram ok com apenas mais um puxador estragado.

O primeiro impacto que vivemos de cara foi com o sotaque do pessoal. É extremamente carregado e é necessário bastante energia e atenção para entender e ser entendido. Nos primeiros contatos, sequer entendia uma palavra. Agora já consigo entender um pouco mais, mas não muito kkkk
Definitivamente, o idioma é uma barreira e hoje é possível ver bem claramente que quanto mais se estuda, mas é necessário estudar e vivenciar a língua hahahaha. Porque uma coisa é o francês da sala de aula, outra é se virar na rua e saber se comunicar. Não é fácil.

O apê temporário é bem bacana, bem confortável e exatamente igual ao visto nas fotos. Ponto pra eles. Hoje fizemos umas compras pra abastecer a casa e as primeiras visitas ao supermercado são empolgantes. Muitas coisas novas pra se provar. Sim, aqui tem arroz e feijão para todos aqueles que me perguntaram. Alguns produtos são muito enormes e estou achando os preços muito equivalentes aos de Brasília (sem conversão, lógico). As sacolas plásticas são pagas em muitos mercados, então já adquirimos nossas sacolinhas de pano. Já vi uns carrinhos de compra passeando pela rua, mas ainda não vi pra comprar.

Estamos aprendendo a andar de ônibus, o que não é muito fácil para os brasilienses, mas nos acostumamos rápido. Também estamos achando o transporte seguro, inclusive de madrugada. Difícil é subir e descer ladeiras no centro onde estamos… rs rs rs

A cidade é uma graça, mas é realmente cidade de interior. Praticamente tudo fecha às 17 horas. O shopping fica aberto até mais tarde às quintas e sextas e agora é época de liquidação de verão. Achei engraçado o fato das lojas colocarem do lado de fora as peças em promoção, assim você não precisa entrar pra ver o que há de bom.

Graças aos amigos Álvaro e Erisa, Pedro e Thaís, Adolfo e Flavielle, conseguimos tirar todos os nossos documentos em um dia e já temos um rendez-vous no MICC na segunda pela manhã. Também já conseguimos a muito custo comprar celulares, passamos dois dias tentando nos comunicar com a atendente para entender como funcionavam as coisas. Conseguimos comprar os celulares com nosso passaporte e cartão de crédito como documentação. Alguns dos nossos colegas tiveram mais dificuldade com esses documentos e tiveram que utilizar outros.

A conta no HSBC foi aberta direitinho e já temos cartão de crédito, o que não é fácil de se conseguir de cara por essas bandas. Difícil cair a ficha de que não somos ninguém por aqui kkkk.

Seguem agora algumas fotos:

O teco-teco
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Nós na chegada
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O apê
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Perto do Vieux-Quebec
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Abraços!





Estamos na Flórida ou num deserto da África?

8 07 2009

Já tínhamos ouvido falar que a Flórida era quente nessa época do ano, mas não fazíamos idéia do quanto! Para pessoas acostumadas com calor de Brasília, isso aqui é simplesmente um inferno, não dava pra curtir atração nenhuma! Kkk

Dica para quem quer passar férias de julho na Disney: se você não está acostumado a sol e calor de verdade, evite essa época do ano, porque o bicho pega MESMO. Fora as filas quilométricas em cada atração.

Dica para quem está imigrando cheio de malas: não faça pausas na Disney antes do destino final a não ser que você tenha certeza de que alguma das suas malas esteja, no mínimo, quase vazia. Acredite, as tentações das pontas de estoque são difíceis de resistir.

Dica para quem vem do Brasil, desce em Miami e vai pra Orlando de carro, principalmente se for em julho: eu não faria o trajeto de novo. Após passar mais de 10 horas em aviões, pegar 4h de carro é canseira total, ainda mais num calor de mais de 30º. Dá um sono desesperador kkkk

***

As despedidas

Para mim, sem dúvida nenhuma, foi um dos momentos mais difíceis que vivi durante todo o processo. O nó fica na sua garganta o tempo inteiro durante as últimas semanas e aumenta mais ainda quando você abraça as pessoas no aeroporto. Tentamos fazer das despedidas apenas uns “até logo”, mas não é fácil mesmo. E não adianta eu te dizer para se preparar, pois cada um reage de uma forma diferente. Tem que olhar pro futuro, pensar positivo e acreditar que a internet diminui muita distância.

Como vocês podem ver pela foto, passamos o plástico protect bag nas malas. Abrimos somente uma delas aqui por enquanto e tudo estava certo. Não abriram (ainda) as malas nos EUA para inspeção. Vamos ver amanhã como será no voo para Montreal – Ville de Quebéc. Ah sim, umas das malas chegou com o puxador quebrado e acredito que ela estaria completamente lascada se não fosse pelo plástico protetor.

Nós em Brasília:

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Nós em Guarulhos:

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Nos questionaram em Miami sobre a quantia em travel checks que trouxemos, mas nada assustador. Apenas tivemos que preencher um outro formulário numa seção separada do aeroporto.

Amanhã chegaremos ao nosso destino final. Com certeza teremos algo para falar sobre nosso enorme excesso de bagagem kkkk