De volta ao país, brasileiros sofrem ‘síndrome do regresso’ (reportagem)

30 04 2012

Reportagem muito interessante da Folha de São Paulo (06/03/2012) que fala sobre a readaptação dos brasileiros que estão retornando para o Brasil, após as recentes crises nos Estados Unidos, Europa e Japão. Vale a pena conferir pra conhecer um pouco do outro lado do processo de imigração.

Eu me surpreendi com o resultado do estudo, pois achava que retornar para o nosso país fosse mais fácil que sair, mas segundo a coordenadora do projeto, a psicóloga Kyoko Nakagawa, “a adaptação em um país diferente acontece em seis meses, já a readaptação ao país de origem demora dois anos”.

Nao significa que para todo mundo vai ser assim. Temos que levar em conta, por exemplo, o tempo que a pessoa passou fora do país, onde a pessoa morou, faixa etária, etc. Como já sabemos, toda regra tem sua exceção.

Bom, quem quiser conferir na íntegra a reportagem e ver todas as 11 ilustrações, basta acessar aqui.

Ilustrações de Adams Carvalho para a Folha.com

Um grande abraço e até a próxima!

Lucas

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Médecins sans résidence (Médicos sem residência – documentário polêmico)

23 04 2012

Essa semana, nas minhas andanças pela internet, descobri um site de um projeto muito interessante chamado La tête de l’emploi. Esse projeto é uma coleção de 11 curtas-metragens e recursos on-line que abordam a o racismo direto e a discriminação no local de trabalho. O projeto foi realizado pelo Office national du film du Canada e contou com a colaboração de diversos cineastas.

Médicen sans résidence é um desses documentários, realizado em 2010, mostra como a discriminação impede os médicos formados fora do Canadá – mesmo os que conseguiram obter a equivalência dos estudos e o certificado de competência das autoridades de médicina do Canadá – de exercer a profissão. Entrevistas com profissionais da saúde e os dos direitos humanos ilustram como o racismo desempenha um papel nesta situação.

Eu gostaria muito de poder traduzir todo o documentário e fazer as legendas, mas a falta de tempo e meu conhecimento limitado nessa área da tecnologia, me impedem de fazê-lo. De qualquer forma, para quem ainda não está com o francês afiado, vou traduzir as partes mais importantes no blog mesmo. Quem quiser, pode acessar o vídeo completo aqui.

Médecins sans résidence

O documentário começa com a narração de uma médica imigrante :

“Eu me formei em médicina no meu país e trabalhei na França durante 10 anos como médica de família. Eu imigrei a Montréal com meus filhos, passei em todos os testes canadenses de medicina e o colégio de medicina reconheceu minhas equivalências de diploma. Logo, conseguir um posto de residente em um hospital deveria ser simples, mas faz dois anos que eu aplico para uma vaga e sou sempre recusada”.

Em seguida, aparecem algumas estatísticas :

Em 2009

– 94 postos de residências não foram preenchidos

– 60% dos médicos estrangeiros foram recusados

Os médicos que não passam na seleção recebem apenas uma carta informando que o dossiê foi julgado “não competitivo” e que não podem dar mais explicações, pois o processo de seleção é confidencial. Na carta, eles afirmam ainda que o processo de admissão é o mesmo para todos.

Depois disso vem a explicação fantástica do Dr. Yves Robert, secretário do Colégio de Médicina do Québec, para toda essa dificuldade. Esse comentário vou tentar traduzir na íntegra, pois vale a pena mostrar o tamanha da ignorância desse sujeito:

“Nós sempre colocamos a questão: se o corpo humano é igual em todos os lugares, a médicina também é igual. Isso não é verdade. Um médico africano pode ser capaz de tratar muito bem uma doença por aí a fora, mas não o que nós temos aqui no Québec. Nós temos infartos,  alzheimer, câncer, temos patologias que não são vistas na Africa ou na America do Sul, pela simples razão de que a população nesses lugares morre antes de chegar a idade de poder desenvolver essas doenças”.

 

 

 

 

 

 

Após esse incrível comentário, vem as respostas a favor dos imigrantes, dizendo que essas doenças são universais e que mesmo assim, médicos de países da Europa também encontram dificuldades para conseguir uma vaga de residente nos hospitais, etc.

Bom, seguindo essa linha, ainda tem muita discussão pela frente, mas são mais de 9 minutos de vídeo no total e vou ter que parar por aqui. Quem sabe um dia alguém possa traduzir e colocar as legendas.  O assunto é polêmico, mas vou guardar meus comentários por hora, pois o post tá enorme. Seguem alguns dos comentários finais  do vídeo:

–  Estima-se que o Canadá precise de mais 5.200 médicos.

– O problema apresentado nesse documentário é encontrato por todo o Canadá.

Um grande abraço e até a próxima,

Lucas





Estamos de blog novo

9 04 2012

Este ano vamos completar 3 anos de Canadá e, para comemorar esse feito, resolvemos dar uma repaginada no blog e tentar escrever com um pouco mais de frequência. Nos próximos posts, vamos tentar abordar novos assuntos e resumir rapidamente um pouco da nossa saga até aqui.

Chegar ao terceiro ano é um marco para o imigrante.  Significa que podemos dar entrada no processo de cidadania canadense*. É também o momento de se reavaliar o projeto. Saber se fica, se volta ou se vai pra outro lugar. Pra alguns, a cidadania é o mais importante do projeto e depois de dar entrada ou recebê-la, alguns voltam para o seu país de origem.

Outro marco legal é que o blog vai completar 5 anos e ultrapassamos 70 mil visitas. Ficamos um tempo sem escrever, mas o número de visitantes não diminuiu, provando que ainda tem muita gente com o mesmo objetivo.  Reativar o blog é uma maneira de continuar ajudando quem ainda não chegou por aqui e dessa forma retribuir a ajuda que recebemos quando ainda estávamos no Brasil.

Nós sabemos o quanto é duro esperar pelo fim do processo, principalmente agora que  a espera pode chegar facilmente a dois anos. Ficamos loucos pra comprar as passagens e pra chegar logo o dia da viagem. Ler notícias de quem está na mesma situação que você ou de quem já chegou por aqui é uma forma de matar o tempo, a curiosidade e acalmar um pouco o coração.

Um grande abraço e até a próxima!

Lucas

*são 3 anos passados em território canadense. Deve-se desconsiderar o tempo passado em outros países, como por exemplo, os dias de férias no Brasil ou viagens para os Estados Unidos.





A grande surpresa : nem animação 3D e nem administração

2 04 2012

Durante muitos anos no Brasil, eu atuei como “especialista” em relatórios, em transformar dados em informação, em elaborar indicadores de desempenhos, fazer análises, etc. Mesmo tendo conhecimentos avançados em Excel, Access e VBA e tendo desenvolvido aplicativos nessas ferramentas, os cargos que ocupei no Brasil sempre foram considerados do ramo da administração.

Após quase um ano inserido no mercado de trabalho canadense como técnico em exploração de dados, comecei a notar que aqui eles enchergavam minha “especialidade” de uma forma diferente. Comecei a fazer pesquisas e descobri que existem vagas para especialistas em Excel, programadores em VBA e até mesmo vagas para analistas em Access.

Foi a melhor descoberta que poderia ter feito. Minha área, além de ser bem mais valorizada aqui no Canadá, não era considerada administração, mas tecnologia. Foi então que resolvi mudar meu CV para valorizar mais os meus conhecimentos tecnológicos e meus feitos nessa área e então comecei a me canditar a vagas na área de TI.

Recebi propostas, fiz entrevista e finalmente surgiu uma ótima oportunidade e hoje trabalho como desenvolvedor BI (business intelligence) em uma empresa de TI especializada nessa área. Meu segundo emprego em 1 ano e 2 meses.

Confesso que no começo fiquei bastante decepcionado por não ter conseguido uma vaga na área de animação 3D depois de tanta dedicação, esforço e dinheiro, mas a verdade, é que agora não posso mais reclamar de nada.

Um grande abraço,

Lucas