Nome de solteira Versus nome de casada

22 03 2010

Esta é uma dúvida muito comum nos fóruns de discussão sobre imigração para o Canadá.

Vejam, aqui no Québec isso pode variar bastante, mas a verdade é que os órgãos provinciais dificilmente aceitam colocar o nome de casada nos documentos. Eles querem sempre colocar os nomes de solteira, pois está na legislação deles e, numa sociedade feminista, eles acham um absurdo a mulher colocar o nome do marido. Sendo assim, nos seus documentos federais (PR Card e NAS) seu nome até pode sair com o sobrenome de casada, mas vai ser complicado conseguir que sua Assurance Maladie saia da mesma forma. Prepare-se para gastar todo seu francês inicial tentando convencer a pessoa que vai te atender e não se sinta frustrado se ainda assim não conseguir. Se puder utilizar seu nome de solteira desde o ínicio do processo, melhor ainda.
Em termos de curiosidade, ouvi falar que no caso dos homens que utilizam o sobrenome da esposa, eles não têm dificuldade com isso. Mulher aqui tem muito poder, minha gente rs rs rs

Se eu também puder dar outra dica, escolha o sobrenome que você mais gosta e que seja fácil de se falar em francês, pois eles têm dificuldade em lidar com nossos nomes enormes. Se tiver pronúncia difícil em francês, você sempre terá de soletrar e dizer pras pessoas como você pronuncia, então aprenda logo a soletrar seu sobrenome sem pestanejar.
Eu jamais imaginei que a palavra “leite” seria tão impronunciável para eles e me lasco toda vez que alguém precisa dizer meu sobrenome. Se eu soubesse disso antes, teria usado meu sobrenome do meio para me identificar. A secretária do meu trabalho não é capaz de dizer meu sobrenome até hoje, mesmo eu tendo repetido zilhões de vezes, por exemplo.

Vale lembrar que isso é válido para o Québec. Acredito que a parte inglesa do Canadá não possua o mesmo problema, pois a cultura é muito parecida com a americana, onde usar nome de casada é super normal pra eles.





Em tempo: os esportes de inverno

19 03 2010

Antes que o inverno vá embora oficialmente, vamos falar sobre minha experiência rs rs rs.

Há diversas opções de esportes (veja por exemplo a quantidade de modalidades nas olimpíadas de inverno) e creio que só experimentando cada um é que saberá o que é melhor pra você.

Eu experimentei somente a patinação e o ski du fond.
Minha patinação foi um desastre, pois foi a primeira vez que subi num treco que desliza e, venhamos e convenhamos, nós adultos temos o maior medo de levar quedas. Fiquei travada e se andei 2 metros sem segurar no muro foi muito. Os quebecas se divertiram bastante com meu medo e minha dificuldade rs rs rs. De qualquer forma, eu também me diverti bastante. No shopping Les Galerie de la Capitale, você paga CAD 2,00 para patinar o dia inteiro e ainda aluga o equipamento lá mesmo por um bom preço (désolé, não me lembro o preço agora).

Fiz o ski du fond (um ski em pista reta ou quase) na Base de Plein Air de Ste-Foy. Lá foram montadas 3 trilhas de tamanhos diferentes no meio da floresta e você também pode esquiar em cima do lago congelado. Visual muito bonito, se você conseguir prestar atenção na paisagem e não nos seus próprios pés kkk
Sem dúvida nenhuma, para os não-iniciados-em-coisas-que-deslizam o ski é muito mais fácil de se equilibrar do que os patins e você consegue andar bastante sem cair. Bom, eu caí bastante, mas não sou uma pessoa muito normal rs rs rs
As quedas às vezes machucam e é difícil de se levantar com aquele ski enorme nos pés, mas depois de várias quedas você pega as manhas rs rs.
Lá neste local você aluga os skis por CAD 7.00 para usar o dia inteiro. Se tiver o equipamento, não paga nada.

Ville de Québec possui vários parques e em muitos deles você pode levar seu equipamento para curtir a neve. Não use roupas muito pesadas, mesmo se tiver muito frio, pois o exercício te faz suar pra caramba e, quando parar a atividade, você irá morrer de frio. O ideal é usar as roupas próprias para esportes de inverno.

Enfim, essas foram as opções que eu escolhi, mas há várias outras que não arrisquei. Você pode também simplesmente arrumar uma prancha própria ou uma bóia (que também é possível alugar) e ir deslizar nas montanhas de neve que se formam por aí. É muito legal e as crianças adoram.

Sendo assim, não tem motivos para hibernar em casa no inverno se há tantas opções e gargalhadas garantidas do lado de fora. As pessoas inclusive recomendam sair mesmo para não deixar a deprê bater, já que não é fácil passar vários dias sem o calor do sol.

Boa sorte no próximo inverno, porque esse está com os dias contados rs rs.





Terra dos lencinhos

15 03 2010

Após de alguns meses na Gringolândia©, seus conceitos sobre limpeza mudam radicalmente e você se esquece de que já torceu um saco alvejado na vida. Depois de um tempo, você se acostuma com o fato de que os banheiros não são lavados e que não se joga água também para limpar o chão. Aliás, nem ralo tem no banheiro para escorrer água. Rodo e pano de chão é algo que definitivamente não existe por aqui. No lugar disso, você conhece lencinhos umidecidos de passar no chão, para limpar banheiro, carro, vidros, monitores e TVs LCD, olhos dos felinos e bunda de cachorro e (porque não?) para limpar a sua própria bunda.

No começo, é bem estranho, mas depois, quer coisa mais prática do que limpar o chão e jogar o lencinho no lixo? Essas são facilidades estrangeiras que você tem que aderir feliz da vida!

Agora sou viciada nas versões Lysol que prometem matar 99% dos germes. Como vivi tanto tempo sem isso, minha gente?





Continuando com o balanço

6 03 2010

Somente após passado um tempo é que podemos concluir certas coisas. Então, vamos lá:

– Você já tem seu supermercado preferido e já não fica tão perdido no meio das seções, mas de vez em quando ainda fica com preguiça de ler um rótulo de um produto novo e acaba levando algo diferente do que imaginava.
– Se tiver carro, você já se acostumou a parar na placa de Arrêt, mas se veio de Brasília, ainda não se acostumou com o fato de que as pessoas aqui no Québec não param na faixa de pedestre.
– Se conheceu o inverno, caiu no gelo pelo menos 2 vezes e sabe que chão brilhante significa perigo. Já sai sem a calça segunda pele numa boa quando a temperatura está acima dos -10° e até usa os casacos de outono quando faz -5°.
– Ainda acha estranho quando alguém te dá bonjour à noite.
– Já tem várias coisinhas eletrônicas que facilitam as tarefas de casa no dia-a-dia (aguarde post especial sobre o assunto) e não sabe como viveu até aqui sem eles.
– Quaaaase se esquece de que viveu num país violento um dia e fica totalmente distraído no sinal vermelho. Sequer olha pra trás para ver se tem alguém te seguindo quando caminha na rua. Esquece a bolsa no carrinho de compras e vira as costas pra procurar algo na prateleira. Eu já esqueci a chave na porta de casa 3 vezes e, na última vez, alguém bateu na porta para avisar. Tudo isso não tem preço. Aliás, tem sim : passar por todo o sacrifício que é a imigração e viver longe daqueles que você ama.
– Se assusta quando olha algum site com preços em reais, depois de se acostumar com o fato de que quase tudo aqui é muito acessível. Inclusive já nem se preocupa mais quanto custa o dólar, a não ser que tenha investimento no Brasil.
– Sua tecla SAP já funciona com mais facilidade e às vezes você se pega falando algo sem nem pensar à respeito.
– Esquece palavras em português, abrasileirando o francês. “Feriado” vira “congé” e “senhora” vira “madame”.
– Já conhece de cor todas as musiquinhas da Météo Média e já tem sua rádio preferida. Até ri das piadinhas, quando consegue entender, o que se tornou bem frequente.
– A saudade aumenta a mais a cada dia e tem que usar e-mail, skype, telefone, orkut e o diabo a quatro para se manter próximo daqueles que gosta, mas mesmo assim ainda não é suficiente. Com o tempo, também percebe que algumas pessoas parecem se esquecer de que você existe e isso é bem triste.
– Se acostuma com o ritmo lento e burocrático dos quebecas e sabe que tem que marcar encontro (rendez-vous) pra tudo, inclusive para falar com a madame que administra o prédio.
– Acompanha as liquidações do mercado através dos encartes, porém, deixa de conjugar o verbo comprar com tanta frequência, como fez até os 3 primeiros meses.
– Vai deixando de atualizar o blog com tanta frequência, pois a preguiça bate total rs rs.

E aqui seguimos nós caminhando, porque é pra frente que se anda rs rs.





Balanço de 8 meses

4 03 2010

Sempre me perguntam o que eu estou achando de morar fora, se já me habituei, se estou feliz, etc. Decidi fazer um balanço da situação. Vamos lá.

O clima
O inverno que está acabando foi melhor do que eu esperava, mas leve em consideração de que o inverno tem sido atípico esse ano. Poderia sim ter sido pior.
De qualquer forma, já sei que temperaturas abaixo de -15° são extremamente desconfortáveis e que não dá pra vacilar com isso. Gastar um bom dinheiro com boas roupas de inverno é um investimento certo em bem-estar e que fazem a diferença na adaptação ao frio.
Em compensação, descobri que sou alérgica ao frio intenso. Tenho a sinusite alérgica toda vez que a temperatura cai dos -10°. Coisa que nunca vivi.
Vivendo e aprendendo.

Os esportes de inverno são bem divertidos, talvez tenha mais atividade para se fazer com a neve do que no verão e é bom saber que você não é obrigado a ficar hibernando em casa durante 3 meses. Pelo contrário, é super importante sair e se divertir.

Escurecer cedo é uma droga, mas é possível se acostumar. Quando menos se espera, o dia volta a se alongar novamente. Hoje, às 16h o sol continuará lá.

A língua
Com certeza é a maior barreira ao sucesso no exterior. Quanto mais você acha que sabe, mais você descobre que não sabe tudo e que tem uma situação ou outra que vai te deixar constrangido por não entender o que a pessoa está falando. Por isso, estudar o máximo que puder antes de se mudar é essencial para uma vida melhor.

A comida
Não vai ser por causa de comida que um brasileiro não vai se habituar aqui. A alimentação no Québec é bem variada e bem saudável. Fácil de adaptar os nossos costumes. Vai faltar uma coisa ou outra, mas faz parte.

O trabalho
Eu trabalho numa empresa muito pequena (deve ter 10 funcionários contando comigo) e isso fez a diferença para minha adaptação. Fui muito bem recebida e não posso reclamar de que as pessoas não se importam comigo, pois são todos muito simpáticos e atentos ao que se passa ao redor.

A saudade
É a segunda barreira a se considerar, na minha opinião. É muito difícil estar longe de tudo e de todos que nos é querido por tanto tempo. Dói mesmo. Tem que usar telefone, internet, skype, e-mail, orkut e o diabo a quatro pra se comunicar com a família e amigos e mesmo assim não é suficiente. Faz a maior falta não participar dos aniversários, dos happy hours(aqui se fala 5 à 7 em francês) e também de não estar presente nas horas difíceis.

As coisas boas da vida feminina
É um saco não poder ir ao salão fazer unha toda semana e ter de adiar o corte de cabelo por falta de dinheiro. É um saco ter que fazer comida praticamente todos os dias, porque não se pode gastar muito e nem ter self-service pra escolher o que quer comer.
É um saco ter de cuidar da casa e fazer faxina toda semana. É um saco não fazer sombracelha no salão (você vê cada peça bizarra na rua). É complicado (e um desafio) continuar sendo vaidosa e estar bonita tendo muitas atribuições no dia-a-dia. Não subestime mesmo o impacto que isso terá na sua vida rs rs rs.

E aí, valeu a pena?
Em termos de experiência de vida e de ter segurança na rua, sim. E por enquanto, é só, pois eu tinha uma vida boa no Brasil. Veremos se alguma coisa muda no balanço de um ano.

Você está feliz com a mudança?
Sim, tenho aprendido muitas coisas sobre mim mesma, sobre a cultura alheia e sobre aquilo que mais gosto e que me faz falta. Aliás, tirando o que não presta, estou feliz sim rs rs rs.

E é isso.